sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O Barroco e os louros de uma improvável vitória.




Bernini ao esculpir Apolo e Dafne captura toda a essência do Barroco. Tanto em movimento, dramaticidade e antítese do período. Contudo, aqui, não quero me prender nas características sociológicas históricas do momento, mas sim na reflexão sobre mito.

 

Se você não lembrar, Apolo, após a derrota de uma hidra infla mais seu, já então monumental, ego. Desta vez a ponto de causar grande transtorno no Olimpo. Ao passo de importunar o filho de Diana, o Cupido que preparava seu arco. Apolo lhe fala em tom arrogante: “Garoto, você é cego, como pode possuir também a mesma arma que eu? Guarda-te a sua arpa e te limite as liras”. Neste ponto a divindade retruca: “Minhas flechas nada matam, contudo podem lhe causar dor pior que a morte.”. Como deliciosa vingança lhe prega uma peça, uma justiça forçada.  O Cupido flecha seu coração por Dafne e Dafne ao contrário por ele. A virgem sem mais ter com quem lhe ajude recorre ao seu pai. Peneu lhe tira as esperanças: -Se Apolo a quiser, ele provavelmente a terá. Contudo esse recorre a um encantamento, visto o tamanho da repulsa da rapariga ao seu algoz, feitiço que iria assim que Apolo encostar a seu corpo a transformar em um Loureiro. E assim o foi feito, ao toque do Deus a ninfa se transforma em uma robusta árvore. Não podendo mais possuir sua fonte de desejo Apolo toma um ramo de seus galhos e adorna sua cabeça. 

 

Fica aqui o pensamento, será que os louros da vitória não são mais uma lembrança do que perdemos, ou deixamos de ganhar, ao chegar em nossos objetivos? Antagonismo Barroco a parte, ainda é uma pergunta pertinente em nosso dia-a-dia. O que me assusta é a aparente atual aceitação da música de Bach e a temporalidade da poesia do velho Gregório. Me pergunto, o que perdemos entre a alma e mente desta vez?

 


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